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domingo, 9 de agosto de 2015

Museo Sorolla

por Lúcia Mattoso

originalmente publicado em luciadizni

Ainda na inspiração dos impressionistas, trago aqui alguns registros da minha visita ao Museo Sorolla em Madri, em dezembro de 2008. O museu é localizado na casa em que viveu Joaquín Sorolla García e sua família, onde o artista mantinha seu ateliê. A pedido da viúva de Sorolla, em 1932 a casa foi transformada em um museu em memória de seu marido.

Mommy no jardim do Museu Sorolla
Eu congelando na escadinha de acesso à casa

O estilo de Sorolla recebe muitas classificações: desde o título de impressionista - que tantos de seus contemporâneos receberam - até luminista ou neoimpressionista. "Ismos" a parte, é notável nos quadros de Sorolla a sensação de movimento gerada pela combinação de borrões de cores além do registro dos efeitos da luz como foco de suas telas. Não por acaso, como muitos colegas da época, a água e os reflexos são temas recorrentes em seus quadros.


El baño del caballo (1909)

El balandrito (1909)

Outra técnica para transmitir a sensação de movimento são os enquadramentos que "cortam" elementos do quadro como pessoas ao fundo e até membros do personagem em destaque, como vemos muito na obra de Degas.

Nadadores, Jávea (1905)

"Sorolla foi a Jávea pela última vez no verão de 1905. Esquece-se das indústrias da cidade e realiza numerosas composições de crianças e adolescentes. A paleta adquire uma intensidade inusitada pelos fortes contrastes de dourados, azuis marinho e esmeraldas, que devido à profundidade de suas águas são totalmente reais." - texto do catálogo do Museu Sorolla.

Mas não apenas de crianças na praia consistiam as temáticas do pintor espanhol. Sorolla buscou pintar a realidade da época e passar em alguns de seus quadros a sensação de desconforto, como no espaço limitado em que se encontram as personagens da polêmica obra Trata de Blancas.

Trata de Blancas (1884)

Já a opção de temáticas mais pessoais costuma ser comparada com as composições do colega americano Sargent. Essa relação entre suas obras inspirou a exposição Sargent / Sorolla, que visitou dentre outros museus o Thyssen-Bornemitza em Madri.

Madre (1895)

Por se tratar do ambiente em que Sorolla viveu em pintou, o museu tem um charme especial, que pode ser averiguado na visita virtual do museu.

Interior do museu - visualização a partir da visita virtual
 Imperdível!

domingo, 16 de novembro de 2014

Porta aberta

por Lúcia Mattoso Monte

Quem me conhece sabe que dentre os filmes recentes da Disney/Pixar, o que ganhou meu coração é Valente. Sou bem parcial quando alguns elementos aparecem nos filmes, e o fato de Brave se passar na Escócia (com direito a sotaque carregado nos personagens) e trazer uma ruivinha empolgadona como protagonista garantiu o topo do meu ranking da última década.

Muita ruivice, guloseimas, tartans e sotaque delícia

Também ajudou eu estar atualmente mais interessada em imagens bonitas combinadas com histórias emocionantes do que simplesmente o número de piadas por segundo nesses filmes de animação (o que já foi um quesito de avaliação na minha adolescência, e nesse ponto A Nova Onda do Imperador provavelmente é o melhor filme da Disney. Ever.).

Por outro lado, quando saí da sessão de cinema em que vi esse longa protagonizado pela princesa Mérida, parte de mim sentiu uma leve frustração nostálgica, pensando que "não se fazem mais musicais de animação como nos anos 90". Eu gosto das canções de Brave, são tão bonitas quanto a animação. Mas para quem viu na infância lançamentos como a Bela e a Fera, Aladdin e Rei Leão, um desenho simplesmente não é tão empolgante sem a catarse musical de ter o protagonista narrando seus sentimentos sobre uma melodia impactante.



Pois bem, essa frustração se resolveu com Frozen. Filme que nem vi no cinema, por ressalvas que criei dada minha própria afeição pela "Valente" princesa Mérida. Eu impliquei com o discurso de que "Frozen quebra o paradigma da princesa que precisava se casar para viver feliz para sempre" porque... a Mérida já tinha feito isso! Aliás, sou da turma que acredita que a força das princesas já vem sendo trabalhada há muitos longas da Disney... Enfim, estou aqui para falar das músicas e não para me justificar por essa implicância infeliz, totalmente eliminada após ver o longa (que me ganhou na cena em que apareceu um quadro do Fragonard!).

Cena da canção "For the first time in forever" - a pintura francesa do século XIII é muito apreciada em Arendelle

As canções são o grande mérito de Frozen, que faz um excelente trabalho em combinar harmonia, melodia, letra e animação para transmitir o sentimento exato ao espectador. Tirei meu chapéu quando vi o vídeo abaixo, em que um professor de música da Williams College analisa cada um desses elementos em Let it Go e mostra por que tudo faz sentido naquela cena. (Infelizmente não tem legendas)



A minha música preferida do filme é o dueto entre Anna e Hans chamado Love is an Open Door, e simplesmente não descansei até conseguir convencer o Bernardo a gravar uma brincadeirinha caseira  em cima dessa música. Quem quiser me ver (tá mais pra ouvir na verdade) pagando mico pode apertar o botãozinho abaixo!



Que o sucesso indescritível de público que Frozen conquistou deixe as portas abertas para novos bons musicais de animação.